CARTA DO LIVRO, DA LEITURA, DA LITERATURA E DAS BIBLIOTECAS AO PRESIDENTE LULA
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Sobre esta Petição
Prezado presidente Lula,
Escritores, editores, livreiros, bibliotecários e ativistas em torno do livro e da leitura vêm a público manifestar apoio à sua candidatura, pelos avanços obtidos em seu governo no que se refere a esses tão importantes temas.
Em primeiro lugar, é preciso registrar o enorme impacto de sua assinatura do decreto de regulamentação da Lei da Política Nacional de Leitura e Escrita, em setembro de 2024. Este ato deu condições para o lançamento do novo Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL-2026-2036). Trata-se do mais importante documento para o desenvolvimento do livro, da leitura, da literatura e das bibliotecas em nosso país, unindo os ministérios da Cultura e da Educação, o Estado e a Sociedade para o desenvolvimento da leitura no Brasil. Foi um passo
fundamental, ainda mais se consideramos que o primeiro PNLL não estava ativo desde 2016.
Em seu próximo governo, é preciso consolidar os programas e projetos do PNLL, atingindo suas metas e objetivos que foram criados em diálogo entre o Estado e a Sociedade Civil, e concretizar efetivamente o pacto que ele representa pelo desenvolvimento da leitura no Brasil. Sem sua forte liderança e dos ministérios da
Cultura e da Educação, não será possível atingirmos os objetivos desse importante documento.
Saudamos também a retomada do Prêmio Vivaleitura, depois de mais de dez anos sem realização. Este instrumento é peça fundamental para o nosso setor, por isso consta da Lei 13.696/2018, junto ao PNLL. O Brasil precisa da continuidade e ampliação desse prêmio que valoriza o trabalho de milhares de pessoas que atuam em todo o Brasil, às vezes de forma anônima e sem recursos, por um país leitor.
Um dos grandes desafios de seu próximo governo é fazer o Brasil voltar a ter pelo menos uma biblioteca por município, como já tivemos no passado recente. As bibliotecas que estão abertas precisam ser cada vez mais qualificadas, com profissionais adequados, programação cultural variada para que possamos despertar o desejo pela leitura nos territórios que mais precisam de políticas públicas saudáveis, ou seja, aquelas que melhoram a qualidade de vida antes que problemas maiores apareçam.
Neste sentido, cabe saudar a iniciativa do MinC e do MEC de incluir desde 2024 as bibliotecas comunitárias no Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) e de disponibilizar uma historicamente desejada atualização de seus acervos, o que está sendo realizado pelo Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE), do MEC, junto ao SNBP, do MinC. Esta ação histórica dá realidade a uma condição fundamental para a formação de leitores, principalmente os mais jovens e aqueles que não possuem livros em casa e dependem de bibliotecas públicas e comunitárias, concentradas em territórios de vulnerabilidade social em sua maioria. Já foram distribuídos 2,4 milhões de livros pelo programa e, pelas metas e objetivos do PNLL, precisamos atingir 100 milhões de obras distribuídas em todo o país até 2036.
Celebramos também a iniciativa de dotar cada um dos condomínios do Programa Minha Casa Minha Vida com uma biblioteca. Colocar o livro cada vez mais perto das famílias brasileiras, um dos princípios do PNLL, é uma tarefa desafiadora. É preciso concretizar essa ação e, se possível, ampliá-la.
O digital é importante, é ágil, possibilita diversidade de leituras e novos comportamentos leitores, mas também é lugar de comunicação de microcausas descontextualizadas, distorções, sofismas e notícias falsas. A leitura de livros está diminuindo em todo o mundo, conforme diversas pesquisas, entre as quais a Retratos da Leitura no Brasil, que indica que pela primeira vez, desde seu início em 2007, o Brasil tem mais não leitores do que leitores (53% a 47%). Concomitantemente, vemos crescer o número de comunidades leitoras, na
internet e fora dela, e de compras de livros em nosso país, fatos que não podem ser desvinculados das ações de seus governos e no da presidenta Dilma Rousseff, que começaram a alterar esse quadro seja pelo grande número de universidades e institutos federais criados, seja por programas como o Prouni e o sistema de cotas raciais e sociais que colocam a população negra, indígena e pobre nos bancos universitários.
Isso é fundamental para o campo da leitura. Mas é preciso aprofundar. Levar escritores, mediadores de leitura, clubes de leitura e aulas de escrita criativa para as escolas, bem como equipar as bibliotecas públicas e comunitárias para atender a população que, em grande parte, também vem do sistema escolar. Ampliar o PNLD Literário e garantir cada vez mais diversidade nos temas dos livros é fundamental, porque se trata de um programa que impacta na economia do livro, na cidadania e também na literatura. É um programa que mexe na produção literária como um todo e que, quanto mais bibliodiversa esta for, mais teremos um país que conta e lê suas histórias e cria oportunidades de transformação. Leitura é cidadania e é também soberania. É fator imprescindível para o aprendizado, a ampliação dos repertórios e a mobilidade social de indivíduos, assim como é ampliadora das possibilidades de um povo ler melhor a realidade à sua volta e de desenvolver um pensamento crítico e criativo.
Outra ação fundamental retomada pelo MinC é o Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler). É preciso ampliá-lo e abranger o máximo possível de bibliotecas e núcleos do Proler, retomando o mais importante movimento de incentivo à leitura que o Brasil já teve. É preciso mais estrutura e recursos para este que - se a biblioteca é o hardware - é o software para o desenvolvimento de leitores culturais.
A parceria inicial entre MEC e MinC gerou também a novidade do MEC Livros. A iniciativa se tornou um sucesso em pouco tempo, agora precisa mais do MinC dentro do projeto, para garantir mais atividades culturais, clubes de leitura
e programação contínua, ações que ativem o desejo, principalmente nos mais jovens.
Nos últimos anos, com a retomada do MinC, é visível o aumento de interesse pelo livro e pela leitura em todo o país, seja no mundo digital, com cerca de dois milhões de brasileiros participantes de clubes de leitura, seja nos eventos literários recentes batendo todos os seus próprios recordes, como é o caso das bienais de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Pernambuco, a Feira do Livro de Porto Alegre e festas literárias como a Festa Literária de Paraty e a Flipelô em Salvador. Os eventos literários se multiplicam no país, na esteira do aumento do uso da Lei Rouanet e dos recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). O Mapa de Eventos Literários do Brasil, iniciativa do MinC, contabiliza 560 iniciativas grandes e médias em todo o país. Outro elemento importante é o interesse crescente pela escrita criativa. Recentemente lançado, o Programa Territórios da Escrita, parceria MinC com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), teve quase 23 mil inscritos para mil vagas. Em 2023, o edital Carolina Maria de Jesus, de literatura feita por mulheres, o maior prêmio literário já feito no Brasil, teve 73 ganhadoras, que receberam R$ 50 mil cada uma. Precisamos de mais iniciativas como essas, que ampliem a bibliodiversidade e promovam as novas vozes literárias do país. E é só com um novo governo Lula que isso será possível.
A internacionalização da literatura brasileira precisa avançar ainda mais. O Brasil teve no primeiro semestre de 2026, segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL), US$ 8 milhões de dólares negociados no exterior, entre venda de livros e negócios envolvendo direitos autorais. Este resultado tem relação íntima com a retomada, em seu governo, do Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior, realização da Fundação Biblioteca Nacional, MinC e MRE. De 2023 a 2025, foram traduzidos 258 livros através do programa, posicionando fortemente a literatura brasileira em mercados internacionais. Em uma das maiores plataformas de streaming de séries e filmes, mais de 9 bilhões das obras visualizadas são oriundas de livros literários, o que demonstra como é relevante consolidarmos a presença da literatura brasileira no exterior ampliando suas possibilidades. O mesmo se fez com as feiras em que fomos país homenageado no período: Havana, Bogotá e La Paz. Esta diretriz precisa avançar, com a retomada de nossas maiores participações nas feiras do livro de Frankfurt, Guadalajara e a do livro infantil e juvenil de Bolonha, entre outras.
Também desde a retomada do MinC, o mercado editorial brasileiro vem crescendo. Somando varejo e compras governamentais, o setor faturou no ano passado R$ 5,8 bilhões, consolidando-se como o maior da América Latina. Trata-se de uma indústria forte e que necessita de cada vez mais condições para sua expansão. Em 2025, o varejo de livros no Brasil cresceu 7,75% em volume e 8,68% em faturamento na comparação com 2024, maior que o crescimento do setor de informação e comunicação, que aumentou 6,5%. Segundo o Panorama do Consumo de Livros no Brasil, feito pela Nielsen BookData, a compra de livros no Brasil cresceu 2% no ano passado, alcançando 18% da população maior de 18 anos, o que representa um incremento de 3 milhões a mais de compradores de livros no país. Importante é a mudança do perfil desses compradores, cujo maior grupo isolado é o de mulheres pretas e pardas da classe C, perfazendo 30% do total, dado que é uma das maiores evidências do avanço individual e coletivo das mulheres negras e pobres promovido pelas políticas educacionais e culturais de seus governos.
Ou seja, o Brasil está no caminho certo, também no que se refere ao desenvolvimento do livro e da leitura. Precisamos de um quarto governo Lula para consolidar essas conquistas e chegar a outras. Quanto mais investirmos em livros e leitura, mais teremos um país soberano, capaz de compreender as complexidades do mundo atual e de se desenvolver com autonomia.
O livro e a leitura estão com Lula, porque Lula está com o Livro e a leitura
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